Botafogo pode ter novo inventário de imóveis antigos

Casarão histórico na Rua Marechal Niemeyer (foto: Cris Costa)

O bairro de Botafogo pode contar com um inventário de casarões e prédios antigos. Pelo menos é o que estuda o memorialista e Presidente do Instituto Rio Antigo, Daniel Sampaio.

“Sabemos que as Apacs são importantes instrumentos de proteção, mas e os imóveis históricos que ficam fora dela? Como serão protegidos?”, indaga. Segundo ele, uma nova forma de discutir o problema precisa ser levantada. O inventário informal (ainda em fase de estudo) beneficiaria não somente Botafogo, mas toda a cidade do Rio de Janeiro. “A ideia inicial é que seja um diretório georreferenciado com a ajuda do Google Maps com sistema de alerta acionado pelos cidadãos”, adianta.

A possibilidade do bairro contar com uma catalogação de imóveis além das Áreas de Proteção do Ambiente Cultural (Apac’s) ocorre dois dias após a tentativa de demolição de um casarão histórico na Rua Marechal Niemeyer, de propriedade do Hospital Samaritano. O local não é tombado e recebeu autorização para a derrubada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico. O imóvel só não foi ao chão após denúncias e manifestações do Instituto Rio Antigo, Associação de Moradores e Amigos de Botafogo(Amab) e moradores do bairro que se indignaram nas redes.

No site da Prefeitura do Rio, as Apac’s são definidas como uma categoria de imóveis que vão além de prédios e monumentos notáveis da história, mas também na preservação de conjuntos urbanos representativos das diversas fases de ocupação da cidade.

Casarão da Rua General Polidoro, 148 – demolido (foto: Lourdes Valle)

Nos últimos anos vários casarões sumiram da paisagem urbana do bairro, como um imponente casarão situado à Rua General Polidoro, 148. O lugar deu espaço às ampliações de um hospital.

Outro imóvel que desapareceu (em fevereiro deste ano) foi uma casa centenária localizada nos números 50 e 52 da Rua Paulo Barreto. No local está sendo construído um prédio residencial. Surpreendida pela destruição do casarão, a presidente da Amab , Regina Chiaradia, chegou a intervir, mas não conseguiu impedir a derrubada a tempo, já autorizada.

Casa da Rua Paulo Barreto, 50/52 – demolida (foto: Cris Costa)

Bens tombados

Apesar do desaparecimento de alguns casarões centenários, Botafogo possui um dos maiores acervos de bens tombados na cidade. Só de imóveis com tombamento definitivo são cerca de 150 com concentração maior na Rua São Clemente. O número deixa fora tombamentos provisórios e imóveis preservados em uma grande listagem existente no site da Prefeitura do Rio de Janeiro. O mapeamento é resultado de esforço da Amab que, em 2000, permaneceu por três meses fotografando e catalogando os imóveis (cerca de 600 casarões) do bairro com o auxílio de uma câmera (ainda analógica). “Claro que a gente quer proteger todos os casarões, mas é uma briga muito grande porque implica pessoas com direito à propriedade. Não é uma discussão simples, mas precisa ser feita”, observa Regina.

Segundo a presidente da Amab, um novo mapeamento georreferenciado é primordial para o futuro. “Um novo inventário é muito bem-vindo, até porque muitos imóveis que têm valor histórico e arquitetônico terminaram não entrando na Apac. É preciso estudar mais a fundo três instrumentos: tombamento, preservação e tutelação”, avalia.

“A Amab tem como um dos seus objetivos a preservação da história do bairro. Botafogo é um celeiro de preciosidades arquitetônicas que conta, de certa forma, a história da fundação da nossa cidade e, por esse motivo, temos muito cuidado e apreço com esse casario. Se deixarmos que tudo vá abaixo, estaremos apagando a própria história do bairro para as novas gerações.”, completa.

Cris Costa

Além de escrever para o Botafogo RJ, Cris Costa posta regularmente em seu perfil @viverbotafogo.

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